Arquitetura Tunisiana e a Belle Époque

Oi gente, tudo bem com vocês?
O segundo semestre da faculdade já começou punk, nem deu tempo de falar aqui, mas no primeiro dia de aula teve uma palestra muito bacana com dois arquitetos, que falaram bastante sobre criatividade e como ser criativo, depois já começaram as aulas normais mesmo, com algumas disciplinas novas que logo mais falarei aqui.
Mas enfim, vocês devem estar se perguntando que raios de título é esse e do que esse post se trata, pois bem, finalmente, vou poder falar do meu primeiro projeto da faculdade e vou poder mostrar fotos de tudo, uhul. Sim, porque até o desfile no Moda Pelotas tudo era confidencial.
Na disciplina de Projeto de Integração Multidisciplinar tivemos que elaborar um projeto e a confecção de um look conceitual, o tema geral era a África e dentro desse tema devíamos buscar inspiração em alguma parte dele, confesso que foi bastante difícil para mim, até porque o único tema que pensei, a dupla do meu projeto não aceitou, mas trocamos e deu tudo certo.
Foi difícil achar referências bibliográficas porque ninguém fala de muita coisa da África que não seja a pobreza. Eu resolvi me inspirar na arquitetura da Tunísia, um país próximo a Europa, que tem uma parte banhada pelo mar e também tem um pedaço do deserto do Saara atravessando ele, é o país que mais recebe turistas na África, já percebemos que ele é rico de belezas naturais, e na arquitetura não podia ser diferente. Liguei esse tema ao período da Belle Époque na França, já que a França foi o país que mais dominou a Tunísia, com relação a tempo. 
Explicando com imagens o meu projeto e quais foram as minhas inspirações, dá para observar o colorido da Tunísia nas portas, janelas, na natureza, no artesanato, a qualidade do trabalho e dos detalhes. E a delicadeza da vestimenta da belle époque, cada detalhe muito bem planejado nas roupas, tecidos leves, acabamento charmoso num período rico de moças refinadas.A minha segunda etapa de pesquisa foi a de tendências para a primavera/verão 2016 que foi as estações que escolhi, e dos desfiles que acompanhei, as tendências que resolvi trazer para o meu look e se houvesse uma coleção, seria os tons de azul e os tons terrosos, volume nos ombros, a cintura bem marcada, decotes profundos, cortes assimétricos, estampas e aplicações em texturas diferentes.

Na minha pesquisa de mercado não encontrei coleções, figurinos, projetos inspirados na arquitetura tunisiana, mas descobri um estilista tunisiano, o Azzedine Alaia, que traz nas suas criações uma silhueta bem marcada e estruturada, volume da cintura para baixo, glamour, sensualidade e sobriedade nos looks. O estilista Fernando Peixoto fez sua coleção do verão de 2014 inspirada no período da belle époque, transmitiu em suas roupas o refinamento da sociedade parisiense, requinte, feminilidade e sensualidade. E em 2012, a rede Globo trouxe ao ar a novela Lado a Lado ambientada no início do século XX na sociedade carioca, com os figurinos inspirados na belle époque, mostrando como era a moda aqui no Brasil no início desse século, a figurinista responsável pela novela era a Beth Filipecki, que se puxou em cada figurino.Para escolher minha cartela de cores, selecionei uma imagem que representasse todas as cores que queria usar, e também a cultura do povo tunisiano, lugar de clima quente e seco.
Partindo dessa imagem e das cores que queria usar, criei minha cartela de coresutilizando o formato de silhueta em S para representar cada uma das cores, o que acharam? Eu adorei ela! Detalhe, só por ser a minha cartela, não podia ter menos do que três tons de azul mesmo, quem me conhece sabe..
E para o projeto sair do papel e ir para o tecido, como faz? Agora começa a parte prática, através da moulage comecei a fazer o meu vestido, sim a minha peça era um vestido, mas não vou postar foto do croqui porque ficou muito bizarro.
De tecido, podíamos usar algodão cru, amorim e chita, eu resolvi usar algodão cru como da para ver na primeira imagem, e tingir ele no tom que desejava, como podemos ver na segunda imagem, a mesma peça já tingida. 
O processo de tingimento é uma das intervenções têxteis mais fáceis de fazer em casa, e não tem erro, compra o pó, coloca numa panela grande, mistura bem com água quente e adiciona sal, depois disso, só colocar o tecido, eu preferi tingir o tecido antes de fazer a peça para não ter erro depois com relação ao tamanho da peça, vai que encolhe.
E a peça quase finalizada é está aqui, um vestido com a parte da frente curta e em forma de arco, e as costas com uma calda, na parte de cima a frente é com um decote reto e as costas toda aberta, mas calma que tem o acabamento para a modelo que usar não ficar segurando a blusa.
Aqui está o vestido finalizado para o dia da entrega, as fotos não estão com a melhor qualidade porque tirei do meu celular, era noite, e a iluminação não era a mais adequada, mas o importante foi registrar o momento. Alguns detalhes a ressaltar, o acabamento na bainha da saia foi feito com viés num tom de azul mais claro que o do tecido para ficar diferente e ser notado, essa elevação no bumbum não é ilusão, eu fiz um travesseirinho para servir de enchimento lembrando a ideia do volume que a vestimenta da belle époque tinha, e a blusa teve alças de pedrarias coloridas de todas as formas e tamanhos, que foi o detalhe das costas também, que não havia tecido, apenas as tiras coloridas de pedrarias.
E aqui eu, com a minha criação, hoje finalmente podendo postar todas as fotos desse processo foi corrido, um pouco cansativo, muito prazeroso e que teve um resultado imensamente satisfatório. E de perto o detalhe das costas, valeu a pena a correria e trabalheira. 
Depois vou selecionar as fotos do desfile e fazer um post só sobre a participação no Moda Pelotas. O que vocês acharam do projeto no geral? E da roupa? Lembrando que é um look conceitual, com o foco de extravasar a criatividade do estilista sobre o tema. Bom gente, por hoje era isso, espero que tenham gostado!
Beijos

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