Exposição Caderno de roupas, memórias e croquis || CCMQ

Olá pessoal, tudo certo com vocês?
Não sei se vocês sabem, mas está rolando em Porto Alegre, mais precisamente, na Casa de Cultura Mário Quintana, a exposição Caderno de roupas, memórias e croquis do estilista mineiro Ronaldo Fraga, a exposição começou dia 9 de novembro e vai até 11 de dezembro, e eu fui até Porto Alegre para conferir de pertinho o trabalho desse talentosíssimo profissional da área da moda que tanto admiro. Hoje eu vim compartilhar com vocês um pouco do que vi lá na exposição - para quem tem o livro do estilista, da pra dizer com toda certeza que se estava dentro do livro - fiz várias fotos para não esquecer de nenhum detalhe, vamos lá então.
A exposição estava divida em dos ambientes, e ambos com muitas informações, eu fui primeiro na parte que tinham as roupas nos manequins, haviam várias roupas em exposição, lindas, que estavam expostas em cima de uma reprodução do tapete de serragem usado na passarela da coleção A cobra ri - verão 2007.
É cada detalhe lindo e tão bem pensado, olha esse primeiro look tapado de pedrarias num bordado super delicado!
Escolhi alguns dos looks expostos para postar aqui, pois como são muitos, o post ficaria extenso demais, e temos outras coisas para ver também. Esse look da segunda foto foi o meu preferido da exposição! 
Ao redor dos looks havia uma linha do tempo com croquis em ordem cronológica de 42 coleções, inclusive da última. As fotos não ficaram muito boas devido a iluminação amarelada, mas dá pra ter uma noção da beleza.
Logo na entrada desse ambiente haviam várias malas de viagens/lugares usadas como vitrines com objetos pessoais do estilista, e ficou lindo a disposição dos objetos e combinações.
Aqui é a mala com os objetos da coleção verão 2002/03 Cordeiro de Deus.
Um domingo de visita ao presídio do estado; no pátio; religiosos tentam trazer para seus rebanhos as ovelhas desgarradas. Ícones e códigos do universo prisional, como tatuagens, grafites e escritas, ilustram a coleção inspirada na história fictícia de Jesus da Silva Santos.
Essa é a mala da coleção de inverno de 2013, As viagens de Gulliver.
Embora tenha se tornado um clássico da literatura infantojuvenil, As viagens de Gulliver não foi escrito para o público jovem. Na verdade, o inglês Jonathan Swift concebeu sua obra mais famosa como uma sátira e crítica ao império britânico. Ao publicá-la em 1726, causou escândalo por atacar valores e instituições da sua época. A razão e o delírio estão separados por milímetros. Portanto, o mesmo barco que vai a Lilliput poderá também chegar a Cubatão.

Malinha da coleção Costela de Adão, verão 2003/04.
Onde barro é cor, onde barro é forma, onde barro é ouro, onde barro é mágico, onde barro é tempo. 
Nesse ambiente havia também uma exposição em forma de azulejos com imagens do trabalho de Ronaldo Fraga, um painel com release de desfiles e projeções de vídeos de vários desfiles e coleções contando um pouco da história de cada um. Passando para o segundo ambiente, haviam duas árvores de memórias lindas com as páginas dos cadernos de croquis das coleções.
A minha parte preferida de toda a exposição com certeza é a parede com os retratos dos personagens ronaldianos.

Acho que com essa enxurrada de fotos, deu pra ter uma noção do quão linda está a exposição né? Isso que eu não mostrei muita coisa, apesar de ter tentado registrar tudo. O meu conselho é, se você tem a oportunidade de ir visitar a exposição, separa no mínimo uma hora do teu dia e vai porque está linda, para quem gosta de moda com história é um prato cheio!

A exposição ficará até dia 11 de dezembro, na sala Augusto Meyer e espaço Maurício Rosenblatt, no 3º andar da Casa de Cultura Mário Quintana, que fica na rua dos Andradas nº 736, no centro histórico de Porto Alegre. O lugar fica aberto de terça a domingo com horários bem flexíveis, a entrada é gratuita e qualquer dúvida entrem em contato através da fanpage que eles respondem super rápido. Aproveitem também para conhecer as outras exposições do lugar e a história do prédio que é um antigo hotel super lindo.
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Moda Pelotas || Retalhos de um passado sofrido

Oi pessoal, tudo bem com vocês?
Hoje vim mostrar para vocês como foi o desfile da minha turma no Moda Pelotas, que é o maior evento de moda da região sul aqui do Rio Grande do Sul, e que tivemos o prazer de participar novamente. Nosso terceiro semestre teve como tema geral de projeto o acontecimento histórico da Segunda Guerra Mundial e confeccionamos saias conceituais, surgindo a oportunidade de participar do moda, fizemos algumas alterações durante o semestre como a limitação da cartela de cores para que o conjunto tivesse uma unidade na passarela e o resultado superou todas as expectativas.
Fizemos um mix de nome/release para o nosso desfile e se chamou assim: 
Retalhos de um passado sofrido: a moda na segunda guerra mundial.
O desfile foi composto por 15 saias, na parte de cima como não confeccionamos blusas, fizemos amarrações com ataduras e algumas das modelos entraram com máscaras de gás para remeter o contexto histórico abordado. 
A saia da foto abaixo é que eu confeccionei, em sarja preta, a minha intervenção têxtil foi o destroyed no tecido, usei de aviamentos como o zíper tanto como decorativo, como funcional e apliquei tiras de flores na parte de trás da saia, a delimitação do tema do meu projeto foi a versatilidade da roupa feminina e a mulher que precisou sair de casa para trabalhar no período da Segunda Guerra.
Essa saia foi confeccionada pelas Brunas e o foco do trabalho delas eram os judeus, elas usaram como tecido base a napa, que é semelhante ao courino, mas, um pouco menos maleável, e fizeram recortes no tecido como a intervenção, aplicaram pontos de sangue, de aviamentos decorativos temos as correntes e na barra podemos observar um detalhe de transparência em tule.
Essa saia linda é da Daiana, que teve como inspiração principal a jovem militante comunista alemã Olga Benário, que foi uma grande referência feminina para o período, e a saia dela foi feita com algodão cru, a sua intervenção foi o seguinte, ela desfiou o algodão cru, cobriu o molde da saia com esses fiapos e passou goma, show né? E para compor com seu look ela também fez esse super casaco/capa.
Essa saia é a da Maira que causou um super impacto na passarela, a modelo chegou causando com essa máscara e esse emaranhado de tecidos. A inspiração da Maira foram os traumas psicológicos causados pela guerra na mulher daquela época e a sua intervenção foi cortar tiras de tecidos e manualmente dar nós criando esse efeito, bem semelhetante a técnica de macramê.
Essa roupa diva é da Jamila, confesso que não lembro o tema dela - triste - mas a intervenção dela foi passar lixa em todo o tecido para descaracterizá-lo através do toque e ficou super macio. Adorei também essa parte de cima e essas tiras em malha, Jamila sempre arrasando nas produções!
Essa saia é da Natanielli e os vazados deixando o corpo da modelo a mostra foi só sucesso, a inspiração dela foram os diários escritos no tempo da guerra, de soldados, de sobreviventes, qualquer diário e a intervenção dela foi a escrita no tecido queimado na parte de baixo e na parte de cima o destroyed.
Essa é a saia da Julia, que teve como inspiração a marinha do período da guerra, e todo aquele ambiente náutico - nem amo - e a sua intervenção foi a aplicação de cordas no tecido para lembrar o tema, nem preciso falar que as cordas vem tudo né.
Essa saia é da Victória e da Juliana, pelo que me recordo a inspiração delas era um pouco o médico nazista Josef Mengele e as experiências que ele fazia com os prisioneiros dos campos de concentração, a intervenção delas foram emaranhados de tiras de malhas em alguns pontos da saia e o diferencial característico do tema foi a desconstrução da roupa padrão, ou seja, uma saia com uma gola no cós e mangas de tamanhos diferentes aplicadas nas laterais remetendo as experiências, de aviamento foram usando vários botões vermelhos ao longo da saia.
Essa saia-calça é da Larrisa e Victória, a inspiração delas era o utilitarismo da roupa feminina e a praticidade do guarda-roupa feminino na época, já que realidade era das mulheres irem para o trabalho de bicicleta - o que não dava para fazer de saia - e chegar no trabalho ainda femininas, então elas trouxeram esse mix de saia-calça e a intervenção foi esse entrelaçamento de tiras.
Essa é a saia da Ana, que teve de inspiração o campo de concentração de Auschwitz, o diferencial da saia foi o uso de arame farpado e a intervenção foi o processo de estamparia manual na parte de baixo da saia que ela quis representar o arame também.
E essa é a saia do Mateus e da Cristiani, com direito a lacrar no encerramento do desfile com o Hitler na passarela.
A dupla teve como inspiração os quatro principais relacionamentos amorosos de Hitler, trazendo a perversão, a ingenuidade, a fatalidade e o lado obscuro dos relacionamentos.
Cada uma das saias representava uma das mulheres que se envolveu com Hitler, e na passarela ficou super interessante a presença dele despindo a modelo e mudar a referência de qual das mulheres viria a seguir.
A aparição do Hitler do bem na passarela causou surpresa, deu o que falar e foi o maior sucesso, mais do que merecido!
Na sequência temos também a saia da Luciéle que abordou a escassez de materiais têxteis no período e usou como intervenção têxtil a aplicação de fios de luz relembrando a máquina de Turing, a segunda saia é da Natanielli - que já foi explicado o tema acima - e a terceira saia do Mateus e da Cristiani, também já comentado o tema acima. Ficou faltando apenas uma saia que é a da Rosi, não achei fotos para postar aqui.
Essa foi a equipe nota 10 que esteve organizando tudo do desfile e participou do backstage, equipe da qual foi a maior alegria de parte e poder ajudar e ver a criação e o resultado de perto de algo tão maravilhoso, é emocionante ver na passarela cada detalhe que foi pensado com toda atenção e cuidado.
E a melhor parte vem depois do desfile, com todo o retorno positivo e elogios que recebemos por ter feito algo tão lindo! E que venha o próximo Moda Pelotas, com certeza vamos para arrasar! 

Fotos: Vip e Filipe Lucena

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Editorial de moda || A mulher da guerra

Pessoal,
finalmente posso compartilhar com vocês o meu primeiro editorial de moda, já faz um bom tempo que fiz ele, mas precisava esperar passar o Moda Pelotas para poder compartilhar as fotos da saia que participou do desfile! Então é o seguinte, nesse terceiro semestre o nosso projeto teve como tema a Segunda Guerra Mundial e como delimitação de tema escolhi me aprofundar no utilitarismo da roupa feminina, pois foi um período que a mulher precisou sair do conforto de sua casa para trabalhar. E como foco desse semestre, além da criação de uma coleção de moda, tínhamos que produzir um editorial de moda sozinhos e lá fui eu me arriscar. Precisávamos criar uma saia conceitual para o desfile no Moda Pelotas.

A mulher da guerra  
No meio da desordem e escassez de tempo, buscou-se suprir as necessidades dessa mulher, que deseja estar na moda sem precisar ceder muito do seu tempo para encontrar a peça de roupa ideal.
Eu não tinha modelo até uma amiga me mandar mensagem dizendo que passaria alguns dias em Pelotas, então lá fui eu terminar a saia num final de semana, pois iríamos fotografar na segunda. Como fiz só a parte de baixo, resolvi comprar algumas ataduras para compor a parte de cima do look, tentei tingir de preto mas não deu muito certo, mas, pelo menos ficou esse tom que não é totalmente branco, fui até o Corpo de Bombeiros de Pelotas e consegui emprestado uma máscara de gás e um capacete para compor as cenas das fotos. 
Escolhi duas locações para fazer as fotos, o primeiro local foi no Mercado Central, por ter toda uma estrutura industrial, combinou super bem para relembrar onde a mulher dos anos 40 e o segundo local foi na escadaria do prédio da Secretaria da Cultura.
O dia estava chuvoso e apesar de ter começado a fotografar no início da tarde a iluminação não estava suficientemente boa, e as fotos são bem amadoras, pois eu e mais uma colega fizemos, ah não só as fotos, fizemos a produção, as fotos, maquiagem, cabelo, tentamos compor o cenário com o que tínhamos disponíveis.
Apesar de todo amadorismo, para o primeiro editorial eu gostei muito do resultado, é claro que depois de ver o resultado eu mudaria algumas coisas, mas é sempre assim.
Só tenho a agradecer por todos que me ajudaram de alguma forma, a prof. Frantieska que sempre nos incetiva a dar o nosso melhor, e está sempre disposta a ajudar (sempre acrescentando), seja com dicas, ideias novas para melhorar, peças de acervo pessoal para compor looks hahaha a minha colega Maira que topou essa indiana em plena segunda-feira e com chuva, carregou mil coisas pra cima e pra baixo comigo, fez fotos, fez make, cabelo e me ajudou muito em cada detalhe, agradeço a Mayara (meu presente da engenharia) que passou um dia como minha modelo e foi maravilhosamente bem, a parceria foi ótima! Agradeço muito aos bombeiros pelos empréstimos e a colega Victória que emprestou o calçado, ao pessoal do prédio da Secult que foram super gente boa quando chegamos pedindo para fotografar e quando precisamos de um local para trocar de roupa (bem diferente do mercado público, que o uso de um simples banheiro gerou um tremendo transtorno por causa de uma das comerciantes de lá), mas enfim, assim vou aprendendo, vou sabendo com quem posso contar e deixo como dica uma coisa que a prof. de projeto falou no final do semestre "não tenham vergonha de pedir ajuda", não é feio precisar dos outros, muito menos pedir ajudar, pois, do mesmo jeito que adoro ajudar/participar do projeto de outras pessoas, tem quem seja assim também, e saibam para quem pedir ajuda, pessoas que possam acrescentar nas tuas ideias certo! Até próxima gente.
Beijos

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